Como em Bandolins, de Oswaldo Montenegro, eu comecei minha vida “rodopiando e enfrentando o mundo ao som dos bandolins”. Com os olhos bem fechados, girando meio fora do ritmo, lutando contra o mundo para sobreviver.
Certo dia eu parei e comecei a ouvir um som estranho. No começo, não entendi direito o que era. Aos poucos o som foi ficando cada vez mais nítido, mais alto. Era uma música! Cada nota ia ganhando vida, podia-se ouvir um coro, uma orquestra em sintonia. Pareciam vozes de anjos, cada movimento era emocionante e único. A melodia mais bela e surpreendente que já havia escutado! Eu estava diante da música da vida.
A medida em que aquela música penetrava minha alma, meu espírito se nutria, minha aura brilhava. Meu corpo foi sendo contagiado, impelido a mover-se. E quando me dei conta, estava dançando! Criava meus passos, girava e cantava, sem perder nunca o ritmo. Eu bailava ao som do mundo. Rodopiava ao som dos bandolins, celebrando a vida, lutando com o mundo ao meu lado em favor da vida.
Fabrine Schwanz
sábado, 28 de novembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Lembretes a alma
Escrever para arrancar de dentro do peito as palavras que incomodam a alma. Com silêncio, empazinar alguns outros com suas próprias palavras, que regurgitadas no espelho, tem sempre o remetente como destinatário.
Viver o possível e o impossível, como se a nossa felicidade fosse o atestado de que escolhemos o melhor caminho.
Desejar mais sorte e venturas aos que se preocupam mais com as nossas pegadas, que com suas próprias vidas. O que é uma pena, pois cada caminho é único e o rastro que deixamos se apaga a cada passo que damos.
Mas devemos lembrar sempre, sempre, que por mais nocivas que sejam, estas manifestações, só podem vir de pessoas que nos admiram muito.
Viver o possível e o impossível, como se a nossa felicidade fosse o atestado de que escolhemos o melhor caminho.
Desejar mais sorte e venturas aos que se preocupam mais com as nossas pegadas, que com suas próprias vidas. O que é uma pena, pois cada caminho é único e o rastro que deixamos se apaga a cada passo que damos.
Mas devemos lembrar sempre, sempre, que por mais nocivas que sejam, estas manifestações, só podem vir de pessoas que nos admiram muito.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Insone tormento
Insone tormento
Jaze no leito
Doloroso lamento
Que trago no peito
Minha mente palpita,
Já não guarda o anseio
O vazio que dita
O que se esconde em meio seio.
Nostalgia da vida de outrora
De deleitar-me no âmago desejo
Sublimar-me às lascívias da carne
Naquele lugar profano que já não vejo.
Saudade! Antes palavra, agora companhia
Trago obturando a mente enorme agonia
Não vem na forma de um pensamento
Mas com suas vestes imponentes e cabelos ao vento.
Oh maldita saudade, por que fazes assim?
O que queres ao me abduzir assim?
Não me deixarei arrebatar desta forma
Vencerei a ti e regozijarei na glória.
E na esteira desta vida já surrada
Hora caminhos verdes hora desertada
Encontrarei em um sorriso o abrigo perfeito
Um alguém em um lugar que afague meu peito.
F. Schwanz
Petrus
Jaze no leito
Doloroso lamento
Que trago no peito
Minha mente palpita,
Já não guarda o anseio
O vazio que dita
O que se esconde em meio seio.
Nostalgia da vida de outrora
De deleitar-me no âmago desejo
Sublimar-me às lascívias da carne
Naquele lugar profano que já não vejo.
Saudade! Antes palavra, agora companhia
Trago obturando a mente enorme agonia
Não vem na forma de um pensamento
Mas com suas vestes imponentes e cabelos ao vento.
Oh maldita saudade, por que fazes assim?
O que queres ao me abduzir assim?
Não me deixarei arrebatar desta forma
Vencerei a ti e regozijarei na glória.
E na esteira desta vida já surrada
Hora caminhos verdes hora desertada
Encontrarei em um sorriso o abrigo perfeito
Um alguém em um lugar que afague meu peito.
F. Schwanz
Petrus
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
No campo do Outro
No campo do Outro havia uma falta
Havia uma falta no campo do Outro
Havia uma falta
No campo do Outro havia uma falta
Não tenho com esquecer desta marcação
Na minha condição de objeto investido
Não tenho como esquecer que
no campo do outro havia uma falta
Havia uma falta no campo do Outro
No campo do Outro havia uma falta
F. Schwanz
Havia uma falta no campo do Outro
Havia uma falta
No campo do Outro havia uma falta
Não tenho com esquecer desta marcação
Na minha condição de objeto investido
Não tenho como esquecer que
no campo do outro havia uma falta
Havia uma falta no campo do Outro
No campo do Outro havia uma falta
F. Schwanz
O Fim
Eu sou o verme
O verme que se contorse
E se emaranha dentro de si mesmo
O breu consome minh’alma
Não há possibilidades!
Esse é o fim!
O fim da pulsação, dos pensamentos
O entorpecimento dos sentidos
No momento em que meu cérebro se deteriorar
E minhas lembranças terminarem
Partirei para uma vida nova
Se puder aqui não pisarei jamais
Viverei num outro mundo
Buscando mortos abraços
Mortos como eu,
Ou, quem sabe,
Até mais vivos.
Fabrine Schwanz
O verme que se contorse
E se emaranha dentro de si mesmo
O breu consome minh’alma
Não há possibilidades!
Esse é o fim!
O fim da pulsação, dos pensamentos
O entorpecimento dos sentidos
No momento em que meu cérebro se deteriorar
E minhas lembranças terminarem
Partirei para uma vida nova
Se puder aqui não pisarei jamais
Viverei num outro mundo
Buscando mortos abraços
Mortos como eu,
Ou, quem sabe,
Até mais vivos.
Fabrine Schwanz
Sem sentidos
Eu preferia não ter ouvidos
Eu preferia ser surda
Eu preferia ser cega
Eu preferia ser muda
Se a imagem não me convém
Se as palavras não são as que quero ouvir
Eu prefiro não falar
Eu prefiro me omitir
Mas ouço, vejo e sinto!
Como posso reagir a isto?
Eu me magôo, eu emudeço, eu minto.
Fabrine Schwanz
Eu preferia ser surda
Eu preferia ser cega
Eu preferia ser muda
Se a imagem não me convém
Se as palavras não são as que quero ouvir
Eu prefiro não falar
Eu prefiro me omitir
Mas ouço, vejo e sinto!
Como posso reagir a isto?
Eu me magôo, eu emudeço, eu minto.
Fabrine Schwanz
domingo, 24 de maio de 2009
A ciência é um caminho sem volta
A ciência é um caminho sem volta, cunhado na morte sistemática de alguns punhados de ignorância. Quanto menos não se sabe, mais se tem consciência do seu não saber. É mais filosofia que método, arte que saber. Possibilita ao homem o pensar em sua própria condição humana.
Embora travestida por místicos poderes e determinados saberes, a ciência é a possibilidade de se confrontar com a incoerência lógica da verdade absoluta. Denuncia nossas humanas limitações diante de um mundo inapreensível.
A ciência tornou-se pressuposto para a civilização e responsável pela não extinção de nossa espécie. Em nossa mais remota existência, foram feitas escolhas pelos nossos ancestrais em usar a ciência. Movidos pela necessidade de comunicar-se e passarem adiante seu conhecimentos, eles criaram a linguagem, perpetuando e aprimorando sua tecnologia, mesmo que, ainda, em sua forma mais rudimentar: com o emprego de ferramentas de pedra e o uso do fogo. E numa supremacia evolutiva darwiniana, a ciência determinou e pontuou a posição privilegiada do homem entre os seres, daquele capaz de transformar o mundo, até por meio do olhar. Sem ela, seríamos apenas primatas.
A ciência permeia tudo que provém do humano, todas as áreas do saber, do conhecimento, os objetos por ele criados. Tornou-se mesmo responsável pela fisiologia do homem. Se temos roupas, pêlos se fazem desnecessários. Se cozinhamos os alimentos e os cortamos, por que manter-se as presas?
O cientista é verdadeiro poeta, embriagado pela sua própria loucura, pervertido pelo desejo da descoberta. A ciência constitui em si mesma objetivo: dita os caminhos... os meios... mas não os fins! Os últimos são contribuição da sociedade. E como todas as coisas em si são portadoras de uma ambivalência, os inventos são portadores da vida e da morte, do bem e do mal. Assim, pode a tecnologia nuclear atuar no tratamento do câncer e servir de base para a construção da bomba atômica. A Internet, o meio de comunicação que eliminou a palavra tempo e distância entre algumas pessoas, e também criou a exclusão de outras; que proporcionou liberdade de expressão e a propagação de sites de pedofilia.
Talvez hoje não sejamos menos bárbaros, mas não pode ser a ciência a culpada pela bestialidade dos ascendentes de seus criadores. Pelo contrário, é o império da ciência, com seus desígnios divinos, que sustenta a posição da lei perante a civilização, cria as regras, recalca as pulsões. Mas dotada de tal impotência diante da ética dos homens, seria a ciência capaz de promover a primazia do homem e traçar o seu próprio apocalipse? Não! São os homens que puxam os gatilhos, que injetam nas veias a heroína. São os homens que apontam os mísseis, são os homens que poluem os rios. O que da ciência é objeto, para o homem constitui em ferramenta.
Preferimos, assim, culpar a Ciência à mão que balança o berço, levanta o travesseiro e sufoca o bebê.
Fomos conduzidos por um caminho sem volta, do qual não se conhece o destino. E diante dessa angústia, ficamos presos ao impasse, duvidosos de nossas antigas escolhas:
Segue a ciência sua evolução, ou devolvam-nos a doce ignorância?
Fabrine Schwanz
Embora travestida por místicos poderes e determinados saberes, a ciência é a possibilidade de se confrontar com a incoerência lógica da verdade absoluta. Denuncia nossas humanas limitações diante de um mundo inapreensível.
A ciência tornou-se pressuposto para a civilização e responsável pela não extinção de nossa espécie. Em nossa mais remota existência, foram feitas escolhas pelos nossos ancestrais em usar a ciência. Movidos pela necessidade de comunicar-se e passarem adiante seu conhecimentos, eles criaram a linguagem, perpetuando e aprimorando sua tecnologia, mesmo que, ainda, em sua forma mais rudimentar: com o emprego de ferramentas de pedra e o uso do fogo. E numa supremacia evolutiva darwiniana, a ciência determinou e pontuou a posição privilegiada do homem entre os seres, daquele capaz de transformar o mundo, até por meio do olhar. Sem ela, seríamos apenas primatas.
A ciência permeia tudo que provém do humano, todas as áreas do saber, do conhecimento, os objetos por ele criados. Tornou-se mesmo responsável pela fisiologia do homem. Se temos roupas, pêlos se fazem desnecessários. Se cozinhamos os alimentos e os cortamos, por que manter-se as presas?
O cientista é verdadeiro poeta, embriagado pela sua própria loucura, pervertido pelo desejo da descoberta. A ciência constitui em si mesma objetivo: dita os caminhos... os meios... mas não os fins! Os últimos são contribuição da sociedade. E como todas as coisas em si são portadoras de uma ambivalência, os inventos são portadores da vida e da morte, do bem e do mal. Assim, pode a tecnologia nuclear atuar no tratamento do câncer e servir de base para a construção da bomba atômica. A Internet, o meio de comunicação que eliminou a palavra tempo e distância entre algumas pessoas, e também criou a exclusão de outras; que proporcionou liberdade de expressão e a propagação de sites de pedofilia.
Talvez hoje não sejamos menos bárbaros, mas não pode ser a ciência a culpada pela bestialidade dos ascendentes de seus criadores. Pelo contrário, é o império da ciência, com seus desígnios divinos, que sustenta a posição da lei perante a civilização, cria as regras, recalca as pulsões. Mas dotada de tal impotência diante da ética dos homens, seria a ciência capaz de promover a primazia do homem e traçar o seu próprio apocalipse? Não! São os homens que puxam os gatilhos, que injetam nas veias a heroína. São os homens que apontam os mísseis, são os homens que poluem os rios. O que da ciência é objeto, para o homem constitui em ferramenta.
Preferimos, assim, culpar a Ciência à mão que balança o berço, levanta o travesseiro e sufoca o bebê.
Fomos conduzidos por um caminho sem volta, do qual não se conhece o destino. E diante dessa angústia, ficamos presos ao impasse, duvidosos de nossas antigas escolhas:
Segue a ciência sua evolução, ou devolvam-nos a doce ignorância?
Fabrine Schwanz
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